Síndrome da Banda Iliotibial

Joelho

Síndrome da
Banda Iliotibial
A banda ileotibial é um espessamento lateral da fáscia dos músculos da coxa. Ela inicia-se ao nível da bacia e prolonga-se ao longo da face lateral da coxa para se ir inserir na tíbia no tubérculo de Gerdy.

A nível do joelho passa sobre o epicôndilo lateral femoral (lado de fora do joelho) podendo ser sede de patologia nessa localização.

A função da banda iliotibial depende da posição do joelho. Com o joelho em extensão ou até 20-30⁰ de flexão, a banda situa-se anterior ao epicôndilo lateral femoral (ou seja anterior ao eixo de rotação do joelho) e por isso funciona como extensor do joelho. Com maiores graus de flexão, ela passa para uma posição posterior ao epicôndilo lateral femoral e por isso passa a funcionar como um flexor do joelho.
O síndrome da banda ileotibial é uma condição dolorosa na parte externa ou lateral do joelho comum em populações jovens e activas. É muito comum em corredores e dada a popularidade crescente deste desporto é um problema cada vez mais comum. É também muito frequente em ciclistas e militares (inclusivamente foi descrito pela primeira vez em 1975 em recrutas do exército americano) podendo surgir numa variedade de outros desportistas.
Embora a causa exata ainda não seja completamente conhecida, sabemos que se trata de uma lesão de sobrecarga (ou treino excessivo). As teorias mais comumente aceites são a fricção repetida entre a banda ileotibial e o epicôndilo lateral femoral ou a inflamação crónica de uma bursa entre estes duas estruturas.
O diagnóstico é feito com base na história que o doente conta em conjunto com o exame objectivo que revela a localização típica da dor na face lateral do joelho entre o epicôndilo lateral femoral e a inserção da banda no tubérculo de Gerdy na tíbia.

Numa fase inicial a dor aparece no final do exercício ou após uma distância mais ou menos fixa mas com o agravamento progressivo pode aparecer cada vez mais cedo.

Um exame físico completo é obrigatório e se restarem dúvidas pode ser necessário fazer exames complementares (RX e RMN) para excluir outras patologias que podem causar dor lateral no joelho como rotura do menisco externo ou doença degenerativa femoro-tibial externa, dor patelo femoral, tendinopatia bíceps femoral, etc.

Na grande maioria dos casos o tratamento deste problema é conservador. Para além dos anti-inflamatórios/analgésicos, o primeiro passo é interromper a actividade causadora da dor até os sintomas desaparecerem e em seguida retomar a actividade de forma gradual e progressiva. Em alguns casos, pode não ser obrigatório parar completamente o exercício físico mas sim não ultrapassar o grau de esforço que provoca dor (ou seja, respeitar a dor).

O tratamento fisiátrico ou fisioterapia pode ser uma ajuda importante. Exercícios específicos de alongamento da fáscia e fortalecimento muscular numa fase posterior são eficazes numa grande maioria dos casos.

Apenas nos casos exuberantes ou resistentes ao tratamento conservador se coloca a necessidade de cirurgia. Existem diversas opções cirúrgicas mas a nossa preferência pessoal recai sobre o tratamento artroscópico que para além de ser minimamente invasivo se revela muitíssimo eficaz no alívio da dor.

A prevenção deve ser uma preocupação de todos os atletas mas é especialmente importante naquelas pessoas que já sofreram deste problema.

Uma vez que a causa deste síndrome é uma sobrecarga de exercício, naturalmente a melhor prevenção é retomar ou iniciar a actividade (corrida, ciclismo, etc) de forma gradual e progressiva. Para além disso é importante fazer um bom aquecimento e uma sessão de exercícios de alongamento no final de cada treino.