Osteomielite crónica

Problemas Mais Frequentes

Osteomielite crónica

A osteomielite é a infeção de um osso, ou seja, inflamação e destruição do osso causada por uma bactéria infetante. Independentemente do modo como começou, as características da osteomielite crónica são constantes, com envolvimento de uma ou mais zonas do osso e, numa fase tardia, envolvimento também das partes moles, i.e. periósseo, músculo e mesmo a pele circundante. (fig 1)

Embora existam diferentes formas de classificar a osteomielite (ex. quanto ao tempo de evolução, modo de aquisição, etc.), o mais importante é que o sistema de classificação utilizado seja simples, prático, útil para guiar o tratamento e conter valor prognóstico, ou seja, ajudar a prever o que pode acontecer.

A classificação mais frequentemente utilizada é a de Cierny-Mader que divide os casos em quatro tipos anatómicos consoante o tipo de atingimento ósseo (fig 2 e 3) e o estado de saúde do doente/hospedeiro. (fig 4)

Na maior parte das situações, o diagnóstico de osteomielite é relativamente simples. A clínica inclui dor e sinais inflamatórios locais. É também frequente a existência de uma fístula cutânea com drenagem que pode ser claramente purulenta ou de líquido com aspeto mais inocente, mas que não deixa de traduzir uma infeção óssea.

Depois de se confirmar a existência de osteomielite, o passo seguinte é avaliar melhor a extensão da doença em termos anatómicos com RX, TAC e até RMN, e também o grau de repercussão sistémico (com análises ao sangue) e o tipo de hospedeiro em que essa osteomielite está presente.

A não ser naqueles casos em que se considere que um eventual tratamento fosse causar maior impacto que a própria doença (ex. hospedeiro tipo C), a cura da osteomielite crónica envolve sempre uma abordagem cirúrgica, uma vez que os antibióticos, isoladamente, não conseguem erradicar as bactérias que colonizam o osso infetado (i.e. sequestro).

O tratamento é sequencial e implica: 1) a limpeza/desbridamento cirúrgico de todo o osso infetado, onde se colhem amostras para estudo microbiológico de forma a isolar a(s) bactéria(s) infetante(s); 2) ocupar o espaço vazio/”morto” de modo a que este não se torne um “santuário” para as bactérias; 3) fixar/estabilizar caso haja falta de continuidade óssea; 4) cobertura de partes moles adequadas (uma vez que o osso só cicatriza e só se consegue curar a infeção se houver músculo e/ou pele saudável a envolvê-lo; e 5) antibióticos adequados e dirigidos à(s) bactéria(s) infetante(s). (fig 5)